segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Catador é torturado por policiais militares em Goiânia

Tirado do Centro de Mídia Independente: http://www.midiaindependente.org.
No dia 03 de dezembro de 2008, o catador Daniel Ferreira Barbosa, 20 anos, associado da ACOP - Associação de Catadores de Materiais Recicláveis, membro do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, estava reciclando o seu carrinho de papel em frente ao galpão da ACOP, Jardim América, quando foi abordado pela viatura n.o. 3562 da polícia militar por volta das 14 horas.

O tenente e seu subordinado, de nome Inocêncio, ao ver os cartuchos de impressoras no carrinho de Daniel acusou-o de haver roubado uma empresa. Daniel explicou que aqueles cartuchos foram doados por uma gráfica.

Os policiais colocaram Daniel na viatura e disse que o levaria até a gráfica para ele provar que havia sido doada. Entretanto Daniel, pressionado, não conseguia lembrar o local da gráfica e começou a ser torturado pelos policiais. Eles pararam em uma rua deserta, colocaram as algemas de forma bastante apertada. Começaram a enforcar Daniel de forma tão brutal que ele chegou quase a desmaiar. Davam coronhadas em suas virilhas, nos braços, no cotovelo. Os policiais ameaçavam levar Daniel para a beira do rio da T-9 e o matar. Ameaçavam também acusá-lo de tráfico implantado drogas em seus pertences.

Depois de muita tortura física e psicológica, os policiais voltaram para o galpão com Daniel, os companheiros do MNCR, percebendo que Daniel havia apanhado dos policiais, afirmaram aos policiais que Daniel era inocente, que estava na associação há mais de um ano e que era trabalho honesto e não ladrão. Na frente dos membros do Movimento, o policial puxou os cabelos de Daniel arrancando uma faca para cortá-los, os membros do Movimento protestaram e na tentativa de evitar a agressão Rafael Saddi Teixeira recebeu voz para ser detido.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

GRUPO DE RAP GOIANO DENUNCIA POLÍTICOS DENTRO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA


O grupo goiano de Rap Testemunha Ocular roubou a cena na Assembléia Legislativa de Goiás. Foi no último dia 08, quando o deputado Mauro Ruben, do PT, promoveu um evento em comemoração aos 60 anos da declaração universal dos direitos humanos. O grupo cantou no plenário uma música que denuncia os políticos goianos, citando Marconi Perillo e Iris Rezende.

Tudo estava ocorrendo como de praxe: medalhas, discursos e toda a pompa em que os poderosos estão acostumados. Foi quando os cantores foram chamados para uma apresentação musical. Talvez os deputados se esqueceram que o Rap não é apenas música, mas rebeldia, denúncia e irreverência. Os cantores da periferia não deixaram por menos: destilaram toda sua revolta dentro da casa, que é “do povo” na teoria, mas na prática é dos poderosos.

A música fala dos coronéis que dominam o Centro-Oeste do país. No “coronel do asfalto” que mandou 16 anos no estado ao coronel que hoje ocupa o Palácio das Esmeraldas. Os deputados ficam mudos, como se a carapuça realmente estivesse servido. No final, o presidente da sessão se resume a comentar que “essa é a vantagem do regime democrático”. Democracia que não é favor, é conquista. E que não é completa, pois os direitos humanos são diariamente desrespeitados pelo estado.

O ato foi registrado no youtube. O áudio não funciona no início, mas dá para ouvir a música e apreciar a cena. Parabéns aos rappers de Goiânia!

Confira: http://br.youtube.com/watch?v=hBwJ29aoJbc

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DIEESE CONFIRMA DESIGUALDADE NO BRASIL EM RELATÓRIO ANUAL


O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) distribuiu em dezembro o Anuário dos Trabalhadores 2008, que reúne dados sobre a população brasileira em geral e a classe trabalhadora em particular. É uma enorme quantidade de números, que detalham as condições de trabalho, educação e vida da população brasileira. Infelizmente, os dados confirmam a enorme situação de desigualdade em que o país vive.

Os 10% mais ricos ficam com 44,5% da renda nacional, enquanto os 50% mais pobres ficam apenas com 16,5% do bolo. Só os 1% mais abastados ficam com mais de 10%. Os dados são de 2007, cinco anos depois da posse de Lula, o que mostra que a situação não é diferente do que sempre foi no país.

Ainda impera o latifúndio. Enquanto 62% dos proprietários ficam com 7,5% da área destinada à agricultura, 2,9% dos proprietários ficam com 58,1% da área. As terras improdutivas ocupam 28,6%, ou seja, um quarto do território que pode ser usado para plantio e pecuária é desperdiçado para que sues donos ganhem com a especulação.

Uma parte bastante importante do estudo é a que fala do salário mínimo. Em 1960 ele era equivalente a R$ 1.028,52. Mais que o dobro que os atuais R$ 415,00. Boa parte da perda foi na ditadura militar. Em 1980 o salário mínimo já era 40% menor. Isto num quadro em que 60,5% dos trabalhadores ganham apenas o mínimo. Segundo o Dieese, o salário mínimo que cumpriria o que determina a constituição deveria ser de R$ 1.803,11. O valor é o que o instituto julga suficiente para suprir uma família de quatro pessoas.

Também sobre a educação os números são alarmantes. Num mercado de trabalho que exige cada vez mais escolaridade, o brasileiro fica em média 7,7 anos na escola. O número de analfabetos é de 10,4% da população. Os dados são de 2006, o que mostra a pouca mudança com o governo Lula. Uma questão: o levantamento não conta os semi-analfabetos, que são aqueles que sabem ler um pouco, mas não conseguem compreender um texto.

Além destes dados, o Dieese também mostra uma série de informações sobre as desigualdades entre homens e mulheres, negros e brancos, habitantes da região sudeste e nordeste. Uma realidade que pode ser observada a olho nu pela grande maioria dos trabalhadores, mas que precisa ser confirmada pelos números. Pois ainda existem aqueles indivíduos que acham que pobreza é coisa de quem quer se fazer de vítima. Ou que a situação “não é bem assim”.

É claro que números podem ser distorcidos. Afinal, se alguém coloca os pés em um forno e as mãos em uma geladeira a temperatura média do corpo dessa pessoa vai ser normal. A anedota é contada em aulas de estatística para mostrar que não podemos olhar os gráficos de maneira fria e isolada. Mas que eles são importantes para o debate, eles são. E estão aí para mostrar que o Brasil ainda um país de injustiças.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PORQUE AS NOVAS REGRAS DE TELEFONIA NÃO VÃO FUNCIONAR

As novas regras de telefonia sobre o atendimento em call center até agora não deram muito certo. Parece que o novo decreto, que determina o mínimo de respeito que a empresa tem que ter com o consumidor durante o atendimento por telefone, está perto de se tornar “lei para inglês ver”.

Um dos motivos é que, quando se discute os famigerados Serviços de Atendimento ao Consumidor, os dois elementos lembrados são o cliente e a empresa. Esquecem do lado mais fraco da história: o trabalhador de telemarketing. Este sim é a raiz do problema.

Não o trabalhador em si, mas como ele é tratado dentro da empresa. A terceirização, que foi produto da privatização do sistema telefônico, tornou as condições de trabalho precárias. Quem está na área do telemarketing em sua maioria são jovens sem experiência ou oportunidade de emprego melhor. São, grande parte, do sexo feminino e estudantes de faculdades particulares. Sua condição vem de um ensino de péssima qualidade e de um mercado de trabalho cada vez mais hostil. Presas fáceis da exploração das empresas.

Aí não dá para pensar em bom atendimento. As metas numéricas, o extenuante ritmo de trabalho, o treinamento precário e o assédio moral impedem qualquer um de atender bem o cliente. Daí o serviço mecânico e precário. Na maioria dos casos os problemas do consumidor não são resolvidos e tudo fica por isto mesmo.

A mídia sempre coloca a culpa no call center. Os programas de televisão fazem piada da famigerada atendente, estereotipada como burra e preguiçosa. Mas ninguém faz piada da sanha de lucro das empresas de telefonia, verdadeiras culpadas. Não é por menos, as mesmas empresas despejam toneladas de dinheiro na maior parte da mídia.

Os próprios clientes entram na ilusão de a culpa é “daquele” atendente. Muitos querem processar o trabalhador e não a empresa. Duas vítimas do mesmo sistema, o call center e o cliente, acabam entrando em atrito ao telefone. Enquanto isto, as empresas lucram horrores. Tanto com a exploração de uns, quanto com o mal atendimento de outros.

É uma tremenda hipocrisia o governo demonstrar uma suposta preocupação com os direitos do consumidor mas ao mesmo tempo deixar que um monopólio se forme do setor de telecomunicações. A fusão entre a Oi e a Brasil Telecom vai gerar um gigante que tende a tomar conta do mercado.

Não dá para resolver o problema do tele-atendimento apenas com imposições simples do tipo “o cliente deve esperar apenas um minuto para ser atendido”. As empresas não vão sofrer, são os trabalhadores que serão sobrecarregados. E dificilmente irão conseguir trabalhar sob as novas metas. O problema só vai ser resolvido quando as condições trabalhistas dos atendentes forem revistas. O fim das terceirizações já seria um bom começo.

TRE CONSTATA POSSÍVEIS IRREGULARIDADES NA CAMPANHA DE ALCIDES RODRIGUES

tirado do blog Faxina Geral, com correções
Na última terça foram julgadas no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TER-GO) as contas de campanha do governador Alcides Rodrigues, do PP, à reeleição. Ele só escapou de ser cassado por um detalhe: o seu partido não poderia pedir que as empresas doadoras mostrassem os balanços de 2005.

Por esse detalhe o governador escapou da Lei 9504/97, que pune com cassação os políticos que cometem irregularidades. Foram 16 volumes de acusação preparados pelo então Procurador Regional Eleitoral (PRE), Hélio Telho. Neles tinham de tudo: escuta telefônica, notas falsas, etc. O preço da campanha, segundo Telho, foi de mais de R$ 15 milhões. Ao menos o que é declarado!

No Supremo Tribunal Federal (STF) ainda há resquícios, ao que parece, do atual governador e do Senador Marconi Perillo (PSDB) a serem julgados. Os “esqueletos” legais dizem respeito à última campanha. No Pleno do TRE, foi ignorada a ação do STF porque corre em segredo de justiça e os juízes não sabiam o conteúdo.

Nas contas, além do que foi dito acima, apareceram 19 empresas doando para o PP no dia 28/11/2006 R$ 3.583.000,00, que foram repassados para o comitê de campanha do governador. Dessas 19 empresas, 12 não tiveram faturamento no ano anterior, e das restantes, todas doaram acima dos 2% do faturamento bruto em 2005. A lei diz que empresas só podem doar até esta porcentagem. Ainda existem R$ 330 mil que a prestação de contas não soube explicar. Segundo Telho, houve maquiagem e Caixa 2.

Havia potencial para cassação do governador. Mas segundo o Juiz Federal Euler de Almeida, e foi bem frizado, os 27,12 % das contas que poderiam ser contestados recaiam nos repasses do partido. Quer dizer : a Campanha não era culpada! O governador escapou por unanimidade!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

GOVERNO QUER PRIVATIZAR A CELG NO ESCURINHO



Os boatos sobre a privatização da Celg são fortes. Apesar do deputado Evandro Magal, líder do governo na Assembléia Legislativa, ter dito no plenário recentemente que “Alcides não quer esta marca em seu governo”, as últimas movimentações do governador mostram exatamente o contrário. As negociações com o BNDES estão avançadas no sentido do banco federal adquirir a maior empresa do estado. Esta semana, o presidente da Celg já disse que falta apenas acabar com alguns “esqueletos” da empresa para fechar a compra.

Mas vender para um banco que pertence ao governo federal é sinal de privatização? Sim. Segundo fontes de dentro da própria empresa, o grupo Rede, que tem como estratégia investir em empresas do setor elétrico, já está de olho na parte que BNDES quer comprar.

Histórico - Os últimos governos estaduais têm implementado uma política que prepara o setor elétrico de nosso estado lentamente para a privatização. Em 1997, a hidrelétrica Cachoeira Dourada foi privatizada. O prejuízo para a Celg foi enorme. Além de perder parte de seu patrimônio, a empresa ainda foi obrigada a comprar energia da Cachoeira Dourada privatizada por um preço acima do mercado.

Em 2001 o governo estadual tentou privatizar a Celg. O motivo seria o fato da venda de Cachoeira Dourada ter quebrado a empresa. Como se um erro justificasse outro. Uma campanha que envolveu os movimentos sociais do estado foi feita para que a venda não fosse efetuada. Na época, o governo foi impedido pela justiça de fazer a venda, mas os riscos não acabaram.

Hoje, quase 4 mil funcionários da Celg são terceirizados, enquanto o quadro de funcionários próprios não chega a 2.500. Os serviços comerciais, como o ligamento e desligamento de redes elétricas está todo nas mãos de empreiteiras. Os funcionários terceirizados ganham menos e trabalham em condições bem mais precárias. A Celg chega ao ponto de subutilizar o efetivo próprio para que as empresas privadas tomem conta do serviço.

População afetada - A Celg Hoje é dividida em Celg Distribuição e Celg Geração e Transmissão. Tem também a Celg Telecom, que quer atuar na área de telecomunicação. Fatiada assim é mais fácil vender. Só falta agora os tais “esqueletos”, na verdade as dívidas. E a discussão com a população? Como ficam os usuários?

É bom lembrar que não se trata apenas da maior empresa do estado, mas aquela que fornece energia para todas as outras empresas. E para a população. O que está se discutindo é o serviço que hoje é essencial para a vida de todos. A matriz energética é algo vital para a soberania de um país e para o desenvolvimento de uma região. Não podemos ver a Celg ser vendida assim por debaixo dos panos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sem-terras são presos em Faina por lutarem pela reforma agrária

por:
Movimento Terra, Trabalho e Liberdade - Democrático e Independente, MTL-DI
de Souza do acampamento santa dica no município de Faina. A informação é que ainda há mais 03 mandatos de prisão para Pedro Gomes da Silva, Abel Batista e Elson.
Há duas semanas um grupo de famílias organizadas no MTL-DI ocupou a "Fazenda de Cima" no Município de Faina/GO. Logo após a desocupação pacífica em cumprimento a liminar foi expedida pelo Juiz da Comarca da Cidade de Goiás, Dr.Silvano Divino Alvarenga.
As famílias fizeram acordo com o oficial de justiça que em dois dias desocupariam a fazenda, contando a partir de segunda feira, dia 24/11. Como foi combinado as famílias desocuparam e retornaram para o acampamento de origem.
Após isto, duas viaturas da polícia militar foram ao acampamento "Santa Dica" no município de Faina, com um mandado de prisão para os quatro companheiros, encontrando somente Vanderlei Pereira, que levaram diretamente para a cadeia pública da Cidade de Goiás. Até este momento não temos informações precisas do motivo da prisão.
Enquanto o banqueiro Daniel Dantas, Celso Pita o doleiro Naji Narras estão soltos os trabalhadores que lutam por seus direito estão presos.
“A justiça dos ricos é a injustiça dos pobres”. Pedimos solidariedade ao companheiro que se encontra preso. Envie seu protesto e o pedido de liberdade para mtldi.nacional@gmail.com com cópia para o e-mail da conlutasgo@gmail.comEnvie fax para o juiz Dr. Silvano Divino Alvarenga.Número: 062- 33717340( Comarca da Cidade de Goiás )

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Praça do Bandeirante, em Goiânia, vira palco de constrangimento com a polícia dando “baculejo” em todo mundo

Fui vistoriado hoje pela polícia de Goiás por ter cometido um terrível delito: andar de eixo-anhanguera. Tudo bem que tenho 700 mil cúmplices, que são obrigados a se espremerem todos os dias para andar na maior linha de ônibus na região metropolitana de Goiânia. Mas e daí? Todo mundo é suspeito até se prove o contrário.

Ao menos esta é a visão da pessoa que teve a idéia de, quase todos os dias, mandar a polícia fazer a “blits” na Praça do Bandeirante. O ônibus lotado é obrigado a parar e todos os homens são obrigados a descerem. E ali mesmo, na praça mais movimentada da cidade, são sujeitos a um constrangedor “baculejo”. Quem está com mochila é obrigado a abrir para que a polícia faça a vistoria. Mão na cabeça vagabundo, quem mandou andar de eixão!

Será mesmo que a medida é eficiente? Os marginais já devem estar usando outras linhas. E mesmo que fosse, justifica levar centenas de pessoas inocentes a este tipo de constrangimento? Além de atrasar em alguns minutos a viagem de milhares de usuários do transporte público. A medida mais parece um meio de aterrorizar toda a população.

Ainda bem que, apesar de ter mãe morena e avô negro, nasci com a cor da inocência. Após uma “triagem”, a maioria dos que foram vistoriados voltaram para o ônibus, restando apenas alguns mais “suspeitos”. Todos negros. Esses ficam lá, à mostra de todos que passam na rua, esperando que a polícia baixe seus antecedentes criminais. Mas mesmo quem tem antecedente só pode ser preso por estar cometendo algum crime. E qual crime eles cometeram? Ser preto e andar de eixo-anhanguera.

Porque não fazem esta vistoria no parque Vaca-brava, na região nobre da cidade? Lá, pelo que se sabe, o consumo de drogas é intenso. Queria ver a polícia dando “bacu” nos filhinhos de papai. Quem sabe nos estacionamentos dos shopping centers? Afinal, lá também pode ter marginal, porque não?

Os policiais estão lá cumprindo ordens. Ordens de quem? Quem teve a brilhante idéia? O engraçado é que a ação ocorre na praça onde tem a estátua que homenageia um bandeirante. Bem simbólico. Afinal, foram os bandeirantes que vieram para cá, exterminaram centenas de índios e começaram o regime de desigualdade e repressão que existe até hoje. Quem sabe não foi para “inspirar” a ação.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Governo quer acabar com os sindicatos independentes,mas Conlutas está na defesa da liberdade sindical.


Hoje, dia 11 de novembro, mais de 2 mil pessoas fizeram uma manifestação em Brasília em defesa do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, o ANDES-SN. Mesmo debaixo de chuva os ativistas da Conlutas mostraram a disposição em derrotar o ataque o sindicato dos professores universitários do Brasil está sofrendo por parte do governo. O ato começou em frente ao Ministério do Planejamento e foi até o Ministério do Trabalho. Depois da mobilização, foi montado um calendário de negociações.

O governo federal está promovendo um atentado à livre organização do movimento sindical. O ANDES-SN existe desde 1981 e tem um longo histórico na luta pela qualidade do ensino superior do país e por melhores condições de trabalho para os professores. Mas a Central Ùnica dos Trabalhadores (CUT), com a ajuda do governo, “criou” um sindicato paralelo da categoria. Este sindicato fantasma quer tirar do ANDES-SN seu direito de representar a categoria

Parece até piada. A assembléia que criou o “novo” sindicato foi feita em setembro deste ano em São Paulo, com a presença de pouco mais de 100 professores. O ANDES-SN representa hoje mais de 50 mil professores, e ganhou legitimidade em dezenas de congressos, conselhos e assembléias feitas por todo o país. Além disso a assembléia criou um novo sindicato, com aprovação do estatuto, em apenas 15 minutos.

Como se não bastasse, mais de 200 professores ficaram de fora da assembléia. Era um grupo convocado pelo ANDES-SN que queria barrar através do voto a criação da nova entidade. Mas quem fosse contra a posição da CUT não entrava. Os brutamontes na entrada do local da assembléia estavam lá para impedir a entrada de qualquer dissidente. Assim foi criado o Proifes, o sindicato fantasma que existe para ajudar o governo a implementar sua política nas universidades.

O governo quer agora negociar com o sindicato laranja e não com a entidade historicamente reconhecida pelos professores. Isto mostra que o golpe conta o ANDES-SN foi feito sob encomenda. Hoje várias entidades do movimento estudantil, sindical e popular prestam sua solidariedade ao ANDES-SN, para que o ministério do trabalho não legalize a farsa da criação do Proifes.

Este episódio é uma lição para o movimento sindical. Criamos a Conlutas porque a CUT não representava mais a classe trabalhadora. Os congressos não eram democráticos e a oposição não tinha chance de se expressar. No ANDES-SN, ao contrário, a cada dois anos existem eleições, e a oposição tem toda liberdade para disputar a direção da categoria. Inclusive entre 1998 e 2000 o grupo que hoje criou o sindicato fantasma teve o controle do ANDES-SN. Mas não conseguiu ganhar a categoria para seus métodos.

Se hoje deixamos que os professores universitários sofram com este problema, a praga pode se alastrar. Sindicatos vendidos aos patrões e aos governos podem ser criados por todo o Brasil para dividir os trabalhadores e assinar acordos rebaixados. Por isto é importante derrotar este golpe, que atinge toda a classe trabalhadora. A Conlutas defende a unidade da classe em torno da mobilização por seus direitos e a democracia como método de decisão. Por isto repudiamos este “racha” artificial de uma entidade democrática como o ANDES-SN.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Sindicato dos Químicos de Goiás se filia à Conlutas


O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química e Farmacêutica de Goiás se filiou ontem, dia 30 de outubro, à Conlutas. A assembléia marcou um novo passo para a consolidação desta alternativa para a classe trabalhadora. Também é um novo passo para o sindicato, que está se reorganizando.

Com mais de 5 mil trabalhadores na base, o Sindicato dos Químicos de Goiás representa trabalhadores de um ramo que cresce no estado. Porém, este crescimento não está se refletindo em melhorias na vida dos operários. Com uma nova gestão eleita no último período, surgiu a necessidade de procurar uma via para tocar a lutas que virão.

Durante a assembléia foi passado um vídeo mostrando a história do movimento sindical e foi discutido os desafios futuros da classe trabalhadora. Um dos pontos destacados foi os ataques que estão por vir contra o operariado diante da crise econômica.

Goiás é um estado de industrialização recente. Em 1996 eram cerca de 75 mil operários, segundo o IBGE. Em 2006 o número saltou para 250 mil. Isto faz com que esteja se organizando no estado o movimento operário. Diante do total peleguismo das outras centrais, a Conlutas surgiu para esses trabalhadores como um ponto de apoio para suas lutas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

OPERÁRIOS DA QUERO FAZEM CAMPANHA SALARIAL. SINDIALIMENTO SE FORTALECE COMO FERRAMENTA DE LUTA


Os trabalhadores da indústria alimentícia Quero, em Nerópolis, aprovaram na última quinta-feira sua pauta de campanha salarial. Foi a primeira vez na história que os próprios operários fazem sua pauta e aprovam suas reivindicações em uma assembléia. Vitória conquistada graças ao esforço da categoria em criar e fortalecer o Sindialimento.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Goiânia e região existe há um ano e ainda dá seus primeiros passos. Esta é sua primeira campanha salarial. O Sindialimento ainda não tem recursos próprios e sobrevive graças à luta da categoria e à solidariedade da Conlutas, de sindicatos e ativistas.

Mas já estamos conseguindo vitórias. No meio do ano, a Unilever foi obrigada a aumentar a proposta de reposição salarial de 6% para 9%. Na época, o Sindialimento não era reconhecido pela justiça, e outro sindicato assinava os acordos. Nada era divulgado pra os trabalhadores, pois o antigo sindicato só trabalhava em defesa dos patrões.

Em julho a realidade mudou, pois a justiça reconheceu a legitimidade do Sindialimento. Agora o novo sindicato vai negociar pelos trabalhadores de toda a Região Metropolitana de Goiânia. A direção do sindicato, apesar das dificuldades, está fazendo todo o esforço para que os operários consigam uma boa reposição este ano. A crise está vindo, e sabemos que a partir de agora a postura do sindicalismo deve ser mais combativa.

Mobilização – A assembléia foi feita em dois momentos: à tarde e à noite, e trabalhadores de todos os turnos compareceram. Esta já é a segunda assembléia da campanha salarial da Quero. A primeira foi em agosto, quando os trabalhadores deram início à campanha. Um questionário circulou pela categoria, que respondeu quais as principais reivindicações. Agora o sindicato vai esperar a contra-proposta da empresa e realizar nova assembléia no dia 05 de novembro.

O salário está defasado, queremos 25,66% de aumento, que representa a inflação do último ano mais parte da defasagem que se acumula a muito tempo. Também queremos um ticket alimentação de R$ 140,00. Outra reivindicação importante é a readmissão dos demitidos políticos. Mais de 10 trabalhadores foram demitidos por ajudarem na construção do Sindialimento. Um operário do setor de carga foi demitido recentemente por organizar um protesto contra o trabalho em dias de feriados.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Agora é Luta


Com o fim das eleições, a maioria dos políticos volta para suas vidas “normais”. Já devem ter se esquecido das promessas que fizeram para o povo. Durante a campanha era “tudo pelo social”, “cidade mais humana”, e outras bobagens que não querem dizer nada. Sabemos muito bem como vai ser: aqueles que se elegeram com o dinheiro da burguesia vai governar para ela. Só lembrarão do povo outra vez em 2010, quando teremos eleições para presidente, governador, senador e deputados.

Em Goiânia, 8 dos 18 vereadores que votaram no 13o, 14o e 15o salários conseguiram se reeleger. Um conseguiu eleger e filha e dois estão na suplência. Não achamos que isto quer dizer que o povo é alienado. Na verdade, a maioria desacreditou da política eleitoral, muitas vezes votando por votar. Entendemos aqueles que se sentem desacreditados com a política. Mas não podemos ficar deitados em berço esplêndido.

Quem não gosta de política sofre na mão de quem gosta. E para nós, política não se resume a teclar nos botões da urna eletrônica a cada dois anos. É a luta pelas reivindicações diretas da classe trabalhadora. Temos muito que fazer.

Os trabalhadores dos bancos e dos correios estão em greve. Os moradores dos setores Serra das Brisas e Belo Horizonte podem ser despejados pela especulação imobiliária. Dezenas de famílias de sem-terra estão na luta pela reforma agrária. Agora que o circo eleitoral acabou, é hora de erguer a cabeça e arregaçar as mangas. É esta a política que muda a vida, a política das lutas.

É importante que a classe trabalhadora apresente alternativas nas eleições. Não podemos deixar os eleitores nas mãos do governo Lula, que levou a maioria das prefeituras, ou da oposição burguesa do PSDB e do DEM. Mas um mandato a vereador só ajuda se estiver a serviço das mobilizações do povo.

Muitos ainda confiam em Lula. Mas este governo continua com a política de gastar mais com pagamento a banqueiros do que com educação e saúde. Lula seria uma alternativa ao PSDB e DEM, que hoje estão no governo estadual e aplicam uma política voltada para o ricos.

Para nós, a verdadeira alternativa é a organização independente dos que são explorados. Organização para lutar pelas causa mais imediatas, como a terra, o salário, o emprego. E também para nossa causas mais profundas, como a busca pelo socialismo. Saímos de cabeça erguida deste processo eleitoral. Ao contrário da maioria dos políticos, não iremos nos afastar do povo.

Só para não esquecer, a lista dos vereadores de Goiânia que votaram nos salários extras e se reelegeram. Estamos de olho!

Anselmo Pereira – PSDB

Bruno Peixoto – PMDB

Clécio Alvez – PSB

Geovani Antônio – PSDB

Rusembergue Barbosa – PRB

Pedro Azulinho – PSB

Santana Gomes – PMDB

Virmondes Cruvinel – PSDC

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Vereadores de Goiânia fazem farra com dinheiro do povo

Dezoito Vereadores de Goiânia aprovaram no último dia 10 o 13o, 14o e 15o salários. Mas o aumento não foi para os funcionários da prefeitura ou para os trabalhadores e geral, foi para os próprios vereadores. Isso mesmo, ao invés de se preocuparem com a melhoria de vida do povo os caras-de-pau se preocupam com seus próprios interesses!

Parece até piada, mas 17 dos vereadores que aprovaram os salários extras querem seu voto. Será que pensam que o eleitor é burro? Em uma cidade com tantos problemas eles preferem votar o próprio aumento e ainda querem ficar mais quatro anos na vida mansa.

A Coordenação Nacional de Lutas chama os eleitores de Goiânia a não reelegerem nenhum dos caras-de-pau. O dinheiro do salário dos vereadores, que é 8.692,00, vem do nosso bolso através dos impostos.

Eles depois voltaram atrás. No dia 17 votaram pela revogação dos salários extras. Mas o “exemplo” ficou. Os distintos senhores e senhoras que votaram o benefício pensavam que tudo iria passar despercebido. Ainda bem que não passou. Agora é a hora da população julgar. Apenas uma lição neles poderá evitar que este tipo de abuso se repita.

Quem são os vereadores caras-de-pau

Abdiel Rocha – PMDB
Anselmo Pereira – PSDB
Antônio Uchoa – PR
Bruno Peixoto – PMDB
Cida Garcez – PSB
Clécio Alvez – PSB
Euler Ivo – PDT
Geovani Antônio – PSDB
Hélio de Brito – DEM
Maurício Beraldo – PSDB
Mizair Lemes – PMDB
Nelson Ferreira – PSB
Paulo Borges – PMDB
Rusembergue Barbosa – PRB
Pedro Azulinho – PSB
Santana Gomes – PMDB
Virmondes Cruvinel - PSDC

Professores do estado continuam greve

Apesar do cansaço, das ameaças de corte de ponto, e das vacilações da direção do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás(Sintego), os professores continuam em greve. Já foram 55 dias de educação paralisada, o que mostra a disposição dos professores em conseguir não apenas seu aumento de 23,5%, mas melhorias para nossa educação.

O “rombo” no estado não é desculpa. Afinal, em cerimônia de lançamento do portal transparência, a Secretaria da Fazenda de Goiás afirmou que em novembro o estado sai do vermelho. O déficit, que no começo do ano foi de 26 milhões, está em 13 milhões e zera até o fim do ano. A arrecadação aumentou 18% este ano. Dados do próprio governo. Então dá para investir mais em educação, não dá governador?

A heróica resistência dos professores atingiu todo estado. Em Mineiros a paralisação foi de mais de 70%. No entanto, tinha gente que queria terminar a mobilização. “Não podemos desgastar o movimento, devemos apresentar outras formas de luta”, disse um dos representantes da assembléia

Respeitamos aqueles que se sentem desgastados e estão temerosos. No entanto, achamos que é um momento que não pode ser perdido, afinal a saúde também está em processo de mobilização. Hoje teve assembléia da campanha salarial do pessoal da saúde em frente à sede do Ministério Público Estadual. Eles também reivindicam, além do aumento salarial, melhorias no atendimento para a população. O funcionalismo estadual sofre do mesmo mal, que é o descaso do governo. O funcionalismo federal também se move. Correios e bancários podem entrar em greve neste semestre.

Também lamentamos a postura do deputado Mauro Rubem, que disse no palanque que “não é hora de greve. A luta sindical tem que evoluir para a luta eleitoral. Devemos nos mobilizar para que os candidatos do governador percam as eleições”. O que é isso companheiro? O deputado aí parece inverter valores, pois a tradição do movimento sindical combativo sempre foi priorizar a luta direta da classe trabalhadora.

Nos solidarizamos com o Sintego quanto a prisão do presidente do sindicato, Domingos Pereira, ocorrido na última semana. É um ataque à liberdade da organização que amanhã pode atingir a todos. Não é admissível que o governo use os métodos da ditadura militar para reprimir uma greve, que é direito constitucional. Mas ressaltamos que a postura do sindicato não pode ser vacilante, afinal ele é a direção do movimento. O calendário eleitoral não pode atropelar a luta em um momento desses.

Todo apoio á greve dos professores! Unificar as lutas do funcionalismo estadual!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Funcionalismo público estadual se mobiliza contra ataques do governo Alcides




Esta foi uma semana de mobilização para o funcionalismo público estadual. Além da manifestação dos professores da rede estadual em Santa Helena, os trabalhadores da saúde também fizeram hoje uma assembléia, e o clima é de greve. Ontem a UEG protestou contra os desmandos do reitor da Universidade.

A Conlutas se solidariza com as greves e protestos, que são por melhorias para os servidores e para a população em geral. Afinal, a política de Alcides Rodrigues é a mesma do governo Lula: arrocho salarial e sucateamento do patrimônio que é do povo. Correios, petroleiros e bancários também podem paralisar neste semestre, e as mobilizações devem ser unificadas. As direções dos sindicatos não podem vacilar nesta hora, agora é hora de unidade pelas reivindicações do funcionalismo e do povo.

Saúde a beira da greve

Em assembléia hoje de manhã em frente à catedral de Goiânia, na rua 10, os funcionários da saúde estadual decidiram dar impulso à sua campanha salarial. A greve ainda não foi aprovada, mas o clima é que a paralisação seja deflagrada em breve. Já são três anos sem reajuste, com perdas de 13,20%, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Goiás. Os trabalhadores também querem a equiparação salarial com antigos funcionários da Agência Goiana de Empregos, AGANP, e a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Salários.

Além das pautas salariais, a situação da saúde estadual para a população também foi pauta. A maternidade Dona Iris está fechada há meses, e os trabalhadores que foram remanejados para outros locais estão se rearticulando para a reabertura da unidade. Os servidores presentes deliberaram a realização de reuniões setoriais para mobilizar uma grande assembléia em frente ao Ministério Público Estadual, no dia 23 de setembro. A pauta será o indicativo de greve.


Professores protestam na cidade do governador

No 47º dia de greve, os servidores da rede estadual de educação fizeram hoje manifestação em Santa Helena, cidade do governador do estado, Alcides Rodrigues. Em uma atitude truculenta, o governo mandou a Polícia Militar e a Agência Goiana de Regulamentação parar os ônibus que partiram de Goiânia e já estavam a 5 km da cidade. Mesmo com a ação, os trabalhadores desceram dos veículos e foram a pé para a cidade natal do governador.

Em Santa Helena, onde a primeira-dama do estado é candidata a Prefeita, a passeata seguiu pela rua da prefeitura. A população local se sensibilizou com a causa. Afinal, os grevistas querem, além de um aumento salarial justo, a melhoria nas condições do ensino estadual, que estão péssimas. Enquanto isso, a secretária da educação disse hoje à imprensa que não tem aumento, e que vai cortar o ponto dos grevistas.

Fórum de defesa da UEG protesta contra golpe do reitor

Ontem o Fórum de defesa da Universidade Estadual de Goiás fez um protesto em frente ao Augustus Hotel, onde se realizava o Conselho Universitário. O objetivo foi denunciar o golpe do reitor Luiz Antônio Arantes. O Conselho deliberou que basta ter um ano na UEG para se candidatar. “Isto não existe em nenhuma instituição no país, e foi um golpe para facilitar que indicados políticos sem história na universidade se candidatem” afirma Pítias Alves, membro do Fórum. Outra pauta de reivindicação foi a contratação de novos professores. A maioria do quadro não é efetivo, o que precariza as condições de ensino. O Fórum de defesa da UEG foi criado na última greve da Universidade, ano passado, por professores, funcionários e estudantes. Seu objetivo é lutar por uma UEG pública, gratuita e que ofereça um ensino de qualidade.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Grito dos excluídos em Goiás lembra luta pela moradia


A Comissão Pastoral da Terra, junto a 42 entidades, entre elas a Conlutas, realizou ontem a 14ª edição do grito dos excluídos. O protesto ocorre em várias cidades todo 7 de setembro há quatorze anos, e tem como objetivo senbilizar a opinião pública dos problemas sociais do país. Em Goiás, a possível desocupação de mais de 800 famílias de suas casas em Aparecida de Goiânia foi o tema do ato, que aconteceu nos bairros que sofrem risco de desocupação.
O terreno onde hoje ficam os setores Serra das Brisas e Belo Horizonte foi considerado irregular pela justiça. Os herdeiros do falecido proprietário das terras que deram origem aos bairros, José Agenor Lino, querem de volta a propriedade que teria sido grilada na década de 70. Acontece que nestes trinta anos várias pessoas compraram lotes e constuíram suas casas ali. Porém, o juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 1ª vara Cível da Comarca de Aparecida de Goiânia, determinou a reintegração de posse.
Dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra, lembrou que "esta decisão fere a constituição, que em seu artigo quinto diz que a propriedade tem que ter sua função social." O bispo, que tem histórico de apoio nas lutas populares, lembrou da desocupação de mais de 3000 famílias do Parque Oeste Industrial em 2004. "Que justiça é esta que coloca a propriedade acima da vida?" disse Dom Tomás.
A situação se torna mais absurda pelo fato das famílias pagarem impostos regularmente à prefeitura e terem comprado os lotes sem saber da irregularidade. Durante uma das paradas do ato, dentro do bairro Serra das Brisas, o representante da OAB presente lembrou que "é um caso de terceiro de boa fé. Quem comprou os lotes e hoje mora aqui não tem culpa".
Para a Conlutas, os responsáveis pela situação são, além da especulação imobiliária, os governos municipal, estadual e federal. É bom lembrar que em 2006 Lula pagou aos banqueiros que especulam a dívida externa uma quantia que poderia comprar 6 milhões de casas populares. O estado e a prefeitura também foram omissos, inclusive cobrando impostos à população sem se dar conta da irregularidade. Assim como no Parque Oeste, estaremos na luta em defesa por moradia.