
Hoje, dia 11 de novembro, mais de 2 mil pessoas fizeram uma manifestação em Brasília em defesa do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, o ANDES-SN. Mesmo debaixo de chuva os ativistas da Conlutas mostraram a disposição em derrotar o ataque o sindicato dos professores universitários do Brasil está sofrendo por parte do governo. O ato começou em frente ao Ministério do Planejamento e foi até o Ministério do Trabalho. Depois da mobilização, foi montado um calendário de negociações.
O governo federal está promovendo um atentado à livre organização do movimento sindical. O ANDES-SN existe desde 1981 e tem um longo histórico na luta pela qualidade do ensino superior do país e por melhores condições de trabalho para os professores. Mas a Central Ùnica dos Trabalhadores (CUT), com a ajuda do governo, “criou” um sindicato paralelo da categoria. Este sindicato fantasma quer tirar do ANDES-SN seu direito de representar a categoria
Parece até piada. A assembléia que criou o “novo” sindicato foi feita em setembro deste ano em São Paulo, com a presença de pouco mais de 100 professores. O ANDES-SN representa hoje mais de 50 mil professores, e ganhou legitimidade em dezenas de congressos, conselhos e assembléias feitas por todo o país. Além disso a assembléia criou um novo sindicato, com aprovação do estatuto, em apenas 15 minutos.
Como se não bastasse, mais de 200 professores ficaram de fora da assembléia. Era um grupo convocado pelo ANDES-SN que queria barrar através do voto a criação da nova entidade. Mas quem fosse contra a posição da CUT não entrava. Os brutamontes na entrada do local da assembléia estavam lá para impedir a entrada de qualquer dissidente. Assim foi criado o Proifes, o sindicato fantasma que existe para ajudar o governo a implementar sua política nas universidades.
O governo quer agora negociar com o sindicato laranja e não com a entidade historicamente reconhecida pelos professores. Isto mostra que o golpe conta o ANDES-SN foi feito sob encomenda. Hoje várias entidades do movimento estudantil, sindical e popular prestam sua solidariedade ao ANDES-SN, para que o ministério do trabalho não legalize a farsa da criação do Proifes.
Este episódio é uma lição para o movimento sindical. Criamos a Conlutas porque a CUT não representava mais a classe trabalhadora. Os congressos não eram democráticos e a oposição não tinha chance de se expressar. No ANDES-SN, ao contrário, a cada dois anos existem eleições, e a oposição tem toda liberdade para disputar a direção da categoria. Inclusive entre 1998 e 2000 o grupo que hoje criou o sindicato fantasma teve o controle do ANDES-SN. Mas não conseguiu ganhar a categoria para seus métodos.
Se hoje deixamos que os professores universitários sofram com este problema, a praga pode se alastrar. Sindicatos vendidos aos patrões e aos governos podem ser criados por todo o Brasil para dividir os trabalhadores e assinar acordos rebaixados. Por isto é importante derrotar este golpe, que atinge toda a classe trabalhadora. A Conlutas defende a unidade da classe em torno da mobilização por seus direitos e a democracia como método de decisão. Por isto repudiamos este “racha” artificial de uma entidade democrática como o ANDES-SN.
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