segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Catador é torturado por policiais militares em Goiânia

Tirado do Centro de Mídia Independente: http://www.midiaindependente.org.
No dia 03 de dezembro de 2008, o catador Daniel Ferreira Barbosa, 20 anos, associado da ACOP - Associação de Catadores de Materiais Recicláveis, membro do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, estava reciclando o seu carrinho de papel em frente ao galpão da ACOP, Jardim América, quando foi abordado pela viatura n.o. 3562 da polícia militar por volta das 14 horas.

O tenente e seu subordinado, de nome Inocêncio, ao ver os cartuchos de impressoras no carrinho de Daniel acusou-o de haver roubado uma empresa. Daniel explicou que aqueles cartuchos foram doados por uma gráfica.

Os policiais colocaram Daniel na viatura e disse que o levaria até a gráfica para ele provar que havia sido doada. Entretanto Daniel, pressionado, não conseguia lembrar o local da gráfica e começou a ser torturado pelos policiais. Eles pararam em uma rua deserta, colocaram as algemas de forma bastante apertada. Começaram a enforcar Daniel de forma tão brutal que ele chegou quase a desmaiar. Davam coronhadas em suas virilhas, nos braços, no cotovelo. Os policiais ameaçavam levar Daniel para a beira do rio da T-9 e o matar. Ameaçavam também acusá-lo de tráfico implantado drogas em seus pertences.

Depois de muita tortura física e psicológica, os policiais voltaram para o galpão com Daniel, os companheiros do MNCR, percebendo que Daniel havia apanhado dos policiais, afirmaram aos policiais que Daniel era inocente, que estava na associação há mais de um ano e que era trabalho honesto e não ladrão. Na frente dos membros do Movimento, o policial puxou os cabelos de Daniel arrancando uma faca para cortá-los, os membros do Movimento protestaram e na tentativa de evitar a agressão Rafael Saddi Teixeira recebeu voz para ser detido.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

GRUPO DE RAP GOIANO DENUNCIA POLÍTICOS DENTRO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA


O grupo goiano de Rap Testemunha Ocular roubou a cena na Assembléia Legislativa de Goiás. Foi no último dia 08, quando o deputado Mauro Ruben, do PT, promoveu um evento em comemoração aos 60 anos da declaração universal dos direitos humanos. O grupo cantou no plenário uma música que denuncia os políticos goianos, citando Marconi Perillo e Iris Rezende.

Tudo estava ocorrendo como de praxe: medalhas, discursos e toda a pompa em que os poderosos estão acostumados. Foi quando os cantores foram chamados para uma apresentação musical. Talvez os deputados se esqueceram que o Rap não é apenas música, mas rebeldia, denúncia e irreverência. Os cantores da periferia não deixaram por menos: destilaram toda sua revolta dentro da casa, que é “do povo” na teoria, mas na prática é dos poderosos.

A música fala dos coronéis que dominam o Centro-Oeste do país. No “coronel do asfalto” que mandou 16 anos no estado ao coronel que hoje ocupa o Palácio das Esmeraldas. Os deputados ficam mudos, como se a carapuça realmente estivesse servido. No final, o presidente da sessão se resume a comentar que “essa é a vantagem do regime democrático”. Democracia que não é favor, é conquista. E que não é completa, pois os direitos humanos são diariamente desrespeitados pelo estado.

O ato foi registrado no youtube. O áudio não funciona no início, mas dá para ouvir a música e apreciar a cena. Parabéns aos rappers de Goiânia!

Confira: http://br.youtube.com/watch?v=hBwJ29aoJbc

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DIEESE CONFIRMA DESIGUALDADE NO BRASIL EM RELATÓRIO ANUAL


O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) distribuiu em dezembro o Anuário dos Trabalhadores 2008, que reúne dados sobre a população brasileira em geral e a classe trabalhadora em particular. É uma enorme quantidade de números, que detalham as condições de trabalho, educação e vida da população brasileira. Infelizmente, os dados confirmam a enorme situação de desigualdade em que o país vive.

Os 10% mais ricos ficam com 44,5% da renda nacional, enquanto os 50% mais pobres ficam apenas com 16,5% do bolo. Só os 1% mais abastados ficam com mais de 10%. Os dados são de 2007, cinco anos depois da posse de Lula, o que mostra que a situação não é diferente do que sempre foi no país.

Ainda impera o latifúndio. Enquanto 62% dos proprietários ficam com 7,5% da área destinada à agricultura, 2,9% dos proprietários ficam com 58,1% da área. As terras improdutivas ocupam 28,6%, ou seja, um quarto do território que pode ser usado para plantio e pecuária é desperdiçado para que sues donos ganhem com a especulação.

Uma parte bastante importante do estudo é a que fala do salário mínimo. Em 1960 ele era equivalente a R$ 1.028,52. Mais que o dobro que os atuais R$ 415,00. Boa parte da perda foi na ditadura militar. Em 1980 o salário mínimo já era 40% menor. Isto num quadro em que 60,5% dos trabalhadores ganham apenas o mínimo. Segundo o Dieese, o salário mínimo que cumpriria o que determina a constituição deveria ser de R$ 1.803,11. O valor é o que o instituto julga suficiente para suprir uma família de quatro pessoas.

Também sobre a educação os números são alarmantes. Num mercado de trabalho que exige cada vez mais escolaridade, o brasileiro fica em média 7,7 anos na escola. O número de analfabetos é de 10,4% da população. Os dados são de 2006, o que mostra a pouca mudança com o governo Lula. Uma questão: o levantamento não conta os semi-analfabetos, que são aqueles que sabem ler um pouco, mas não conseguem compreender um texto.

Além destes dados, o Dieese também mostra uma série de informações sobre as desigualdades entre homens e mulheres, negros e brancos, habitantes da região sudeste e nordeste. Uma realidade que pode ser observada a olho nu pela grande maioria dos trabalhadores, mas que precisa ser confirmada pelos números. Pois ainda existem aqueles indivíduos que acham que pobreza é coisa de quem quer se fazer de vítima. Ou que a situação “não é bem assim”.

É claro que números podem ser distorcidos. Afinal, se alguém coloca os pés em um forno e as mãos em uma geladeira a temperatura média do corpo dessa pessoa vai ser normal. A anedota é contada em aulas de estatística para mostrar que não podemos olhar os gráficos de maneira fria e isolada. Mas que eles são importantes para o debate, eles são. E estão aí para mostrar que o Brasil ainda um país de injustiças.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PORQUE AS NOVAS REGRAS DE TELEFONIA NÃO VÃO FUNCIONAR

As novas regras de telefonia sobre o atendimento em call center até agora não deram muito certo. Parece que o novo decreto, que determina o mínimo de respeito que a empresa tem que ter com o consumidor durante o atendimento por telefone, está perto de se tornar “lei para inglês ver”.

Um dos motivos é que, quando se discute os famigerados Serviços de Atendimento ao Consumidor, os dois elementos lembrados são o cliente e a empresa. Esquecem do lado mais fraco da história: o trabalhador de telemarketing. Este sim é a raiz do problema.

Não o trabalhador em si, mas como ele é tratado dentro da empresa. A terceirização, que foi produto da privatização do sistema telefônico, tornou as condições de trabalho precárias. Quem está na área do telemarketing em sua maioria são jovens sem experiência ou oportunidade de emprego melhor. São, grande parte, do sexo feminino e estudantes de faculdades particulares. Sua condição vem de um ensino de péssima qualidade e de um mercado de trabalho cada vez mais hostil. Presas fáceis da exploração das empresas.

Aí não dá para pensar em bom atendimento. As metas numéricas, o extenuante ritmo de trabalho, o treinamento precário e o assédio moral impedem qualquer um de atender bem o cliente. Daí o serviço mecânico e precário. Na maioria dos casos os problemas do consumidor não são resolvidos e tudo fica por isto mesmo.

A mídia sempre coloca a culpa no call center. Os programas de televisão fazem piada da famigerada atendente, estereotipada como burra e preguiçosa. Mas ninguém faz piada da sanha de lucro das empresas de telefonia, verdadeiras culpadas. Não é por menos, as mesmas empresas despejam toneladas de dinheiro na maior parte da mídia.

Os próprios clientes entram na ilusão de a culpa é “daquele” atendente. Muitos querem processar o trabalhador e não a empresa. Duas vítimas do mesmo sistema, o call center e o cliente, acabam entrando em atrito ao telefone. Enquanto isto, as empresas lucram horrores. Tanto com a exploração de uns, quanto com o mal atendimento de outros.

É uma tremenda hipocrisia o governo demonstrar uma suposta preocupação com os direitos do consumidor mas ao mesmo tempo deixar que um monopólio se forme do setor de telecomunicações. A fusão entre a Oi e a Brasil Telecom vai gerar um gigante que tende a tomar conta do mercado.

Não dá para resolver o problema do tele-atendimento apenas com imposições simples do tipo “o cliente deve esperar apenas um minuto para ser atendido”. As empresas não vão sofrer, são os trabalhadores que serão sobrecarregados. E dificilmente irão conseguir trabalhar sob as novas metas. O problema só vai ser resolvido quando as condições trabalhistas dos atendentes forem revistas. O fim das terceirizações já seria um bom começo.

TRE CONSTATA POSSÍVEIS IRREGULARIDADES NA CAMPANHA DE ALCIDES RODRIGUES

tirado do blog Faxina Geral, com correções
Na última terça foram julgadas no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TER-GO) as contas de campanha do governador Alcides Rodrigues, do PP, à reeleição. Ele só escapou de ser cassado por um detalhe: o seu partido não poderia pedir que as empresas doadoras mostrassem os balanços de 2005.

Por esse detalhe o governador escapou da Lei 9504/97, que pune com cassação os políticos que cometem irregularidades. Foram 16 volumes de acusação preparados pelo então Procurador Regional Eleitoral (PRE), Hélio Telho. Neles tinham de tudo: escuta telefônica, notas falsas, etc. O preço da campanha, segundo Telho, foi de mais de R$ 15 milhões. Ao menos o que é declarado!

No Supremo Tribunal Federal (STF) ainda há resquícios, ao que parece, do atual governador e do Senador Marconi Perillo (PSDB) a serem julgados. Os “esqueletos” legais dizem respeito à última campanha. No Pleno do TRE, foi ignorada a ação do STF porque corre em segredo de justiça e os juízes não sabiam o conteúdo.

Nas contas, além do que foi dito acima, apareceram 19 empresas doando para o PP no dia 28/11/2006 R$ 3.583.000,00, que foram repassados para o comitê de campanha do governador. Dessas 19 empresas, 12 não tiveram faturamento no ano anterior, e das restantes, todas doaram acima dos 2% do faturamento bruto em 2005. A lei diz que empresas só podem doar até esta porcentagem. Ainda existem R$ 330 mil que a prestação de contas não soube explicar. Segundo Telho, houve maquiagem e Caixa 2.

Havia potencial para cassação do governador. Mas segundo o Juiz Federal Euler de Almeida, e foi bem frizado, os 27,12 % das contas que poderiam ser contestados recaiam nos repasses do partido. Quer dizer : a Campanha não era culpada! O governador escapou por unanimidade!